Projeto POCTEP FIRST-ART contribui para descoberta publicada na revista Nature Communications



A cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha voltou a demonstrar o seu valor para o avanço do conhecimento científico internacional. Os resultados do projeto FIRST-ART, cofinanciado pelo Programa de Cooperação Interreg Espanha–Portugal (POCTEP), estiveram na base de um estudo recentemente publicado na prestigiada revista Nature Communications, que revelou pela primeira vez a possibilidade de recuperar ADN humano antigo diretamente das paredes de grutas com arte rupestre.

A investigação incidiu sobre várias grutas da Península Ibérica, incluindo a Gruta do Escoural, no Alentejo, e permitiu identificar material genético humano com mais de dois mil anos preservado em superfícies rochosas. Os resultados demonstram que as paredes das grutas podem conservar vestígios biológicos durante milénios, abrindo novas perspetivas para o estudo das populações pré-históricas, mesmo na ausência de restos ósseos ou outros vestígios arqueológicos convencionais.

O estudo envolveu equipas de investigação de diversos países, sendo coordenado a partir da Extremadura e com a participação do Município de Montemor-o-Novo e da Unidade da Cultura da CCDR Alentejo, IP. O trabalho desenvolvido tinha inicialmente como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a arte rupestre paleolítica e a sua cronologia. A integração de técnicas avançadas de arqueogenética permitiu, contudo, alcançar uma descoberta de relevância internacional que poderá transformar a forma como os investigadores estudam a ocupação humana de grutas e os contextos associados à arte pré-histórica.

Este resultado evidencia o impacto da cooperação territorial apoiada pelo POCTEP, demonstrando como a articulação entre instituições científicas e culturais de ambos os lados da fronteira pode gerar conhecimento de excelência e contribuir para a projeção internacional do património comum da Península Ibérica. O caso do FIRST-ART constitui um exemplo concreto de como os programas de cooperação europeia não só reforçam as relações entre territórios, como também criam condições para avanços científicos com reconhecimento internacional.

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