Assinatura do contrato para construção das infraestruturas hidráulicas de abastecimento à ETA da Póvoa reforça aposta na segurança hídrica do Alto Alentejo



Ricardo Pinheiro destaca a agricultura como setor estratégico para a economia regional e aponta o Projeto Pisão como exemplo de cooperação territorial e de preparação do futuro do Alentejo

A assinatura do Contrato da Empreitada Geral de Construção das Infraestruturas Hidráulicas para o Fornecimento de Água à ETA da Póvoa, integrada no Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato (Barragem do Pisão), assinalou mais um marco na concretização de uma das mais relevantes infraestruturas de resiliência hídrica do Alto Alentejo.

A cerimónia contou com a participação do Secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, por via telemática, bem como de diversos representantes de entidades nacionais, regionais e locais. Entre os intervenientes esteve o Presidente da CCDR Alentejo, I.P., Ricardo Pinheiro, que sublinhou a relevância estratégica da agricultura, da gestão da água e do investimento público para o desenvolvimento sustentável da região.

Na sua intervenção, Ricardo Pinheiro destacou o peso do setor primário na economia regional, defendendo uma visão integrada entre desenvolvimento económico, agricultura, coesão territorial e sustentabilidade.

“A região Alentejo representa mais de 18 mil milhões de euros de riqueza produzida e o setor primário, a agricultura, a agrotransformação e a agropecuária, representam mais de 5 mil milhões de euros desse contributo para a economia nacional.”

O Presidente da CCDR Alentejo, I.P. salientou igualmente que o trabalho desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo constitui um exemplo de alinhamento entre as prioridades europeias e as estratégias territoriais de desenvolvimento.

“Aquilo que hoje aqui assumimos deve ser encarado como um enorme exemplo de boas práticas. Os 15 municípios souberam unir-se, definir uma visão comum e avançar com um projeto estruturante para o território.”

Referindo-se aos desafios do próximo quadro financeiro europeu, Ricardo Pinheiro defendeu uma maior articulação entre as políticas de coesão e o investimento na agricultura, introduzindo o conceito de soberania alimentar como um desígnio estratégico para o futuro da Europa.

“Tal como falamos hoje de soberania energética, devemos começar a introduzir também uma dimensão de soberania alimentar e perceber qual o contributo que cada território pode dar à escala europeia.”

A gestão eficiente dos recursos hídricos mereceu igualmente destaque, tendo o responsável regional defendido a necessidade de reforçar a resiliência hídrica do Alentejo e de preparar o território para os desafios das alterações climáticas.

“Não devemos deixar de ter a ambição de pensar a resiliência hídrica do Alentejo, garantindo maior eficiência no consumo humano, industrial e agrícola e preparando o território para os desafios dos próximos anos.”

Por sua vez, o Presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), Joaquim Diogo, destacou a importância da empreitada agora contratualizada no reforço da segurança do abastecimento público e na criação de condições para o desenvolvimento sustentável da região.

“A Barragem do Pisão não é apenas um projeto isolado. É uma infraestrutura estrutural do Alto Alentejo, concebida para servir o território e apoiar o seu desenvolvimento nas próximas décadas.”

O responsável recordou que o projeto resulta de uma visão partilhada pelos 15 municípios da CIMAA e constitui uma resposta de longo prazo aos desafios da escassez de água e das alterações climáticas.

“A verdadeira dimensão deste investimento é garantir que as populações têm água, em quantidade e qualidade, mesmo nos momentos mais exigentes.”

A cerimónia confirmou, assim, o compromisso das entidades envolvidas com a concretização de uma infraestrutura considerada decisiva para reforçar a resiliência hídrica do Alto Alentejo, apoiar a competitividade do setor agrícola e promover condições de desenvolvimento económico e territorial para as próximas décadas.

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