Presidente da CCDR Alentejo sublinhou o papel da região na soberania industrial e energética da Europa, defendendo uma atuação institucional mais ágil para captar investimento estratégico e transformar projetos em desenvolvimento económico e emprego.
O Presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, afirmou que o Alentejo está hoje a assumir uma posição de liderança europeia na produção de materiais estratégicos para a competitividade industrial, defendendo que projetos como o Alba reforçam a soberania industrial e energética da Europa e demonstram a capacidade da região para atrair investimento internacional.
A sessão contou com a presença do Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, do Presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, de representantes da Repsol e de diversas entidades públicas e privadas ligadas ao desenvolvimento económico, industrial e energético.
Na sua intervenção, Ricardo Pinheiro destacou que a atribuição do título representa o culminar de um trabalho desenvolvido ao longo de mais de seis anos entre instituições públicas e privadas, constituindo um exemplo da capacidade do território para acolher e concretizar projetos estratégicos de dimensão internacional.
“Hoje vivemos um momento que resulta de um trabalho de mais de seis anos, onde se percebeu a dimensão do dever com que as instituições públicas e privadas devem exercer a sua ação para conquistar projetos internacionais para Portugal e para o Alentejo”, afirmou.
O Presidente da CCDR Alentejo salientou igualmente o papel das CCDR na proximidade ao território e na aceleração dos processos de investimento, defendendo que a capacidade de resposta das instituições públicas é hoje um fator determinante para a competitividade do país na atração de projetos industriais.
Nesse contexto, agradeceu o contributo das várias entidades envolvidas no processo de licenciamento, nomeadamente a Agência Portuguesa do Ambiente, a Infraestruturas de Portugal, a Direção-Geral de Energia e Geologia e as equipas técnicas que acompanharam o projeto.
Reconhecido como Projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN), o Projeto Alba representa um investimento de cerca de 820 milhões de euros e contempla duas novas unidades industriais de produção de polipropileno e polietileno linear, com uma capacidade conjunta de 600 mil toneladas por ano, destinadas maioritariamente aos mercados internacionais.
Trata-se de um investimento com forte vocação exportadora, reforçando o papel do Complexo Industrial de Sines como uma das principais plataformas industriais e logísticas do país e contribuindo para a balança comercial nacional.
Para Ricardo Pinheiro, esta capacidade produtiva reforça a posição estratégica do Alentejo no contexto europeu e contribui para uma maior autonomia industrial da União Europeia.
“A soberania europeia é decisiva e deve assentar numa abordagem multissetorial e multimaterial. O polipropileno é um dos materiais que pode aumentar a competitividade da produção europeia. O Alentejo assume hoje uma posição de liderança na Europa no que respeita a este material.”
O responsável destacou que a produção anual de mais de 300 mil toneladas de polipropileno e de mais de 300 mil toneladas de polietileno permitirá reforçar a capacidade exportadora nacional e reduzir a dependência europeia de fornecimentos externos em matérias-primas essenciais para a indústria, num contexto geopolítico cada vez mais desafiante.
Ricardo Pinheiro sublinhou ainda que o Projeto Alba representa um exemplo concreto de uma transição energética justa e competitiva, combinando crescimento industrial, inovação tecnológica, descarbonização e criação de valor económico.
Além das novas unidades produtivas, o investimento integra uma nova plataforma logística, novas infraestruturas industriais e energéticas, capacidade adicional de produção fotovoltaica para autoconsumo e o projeto H2Alba, que inclui um eletrolisador de hidrogénio renovável de 4 MW, o primeiro à escala industrial em Portugal.
Segundo o Presidente da CCDR Alentejo, estes investimentos refletem a forma como os grandes objetivos nacionais e europeus associados à energia, ao clima e à sustentabilidade podem ser concretizados através de projetos com impacto direto na economia e no emprego.
Durante a cerimónia, o Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, destacou igualmente a relevância estratégica do Projeto Alba para o país, considerando-o um exemplo de como a transição energética e a reindustrialização podem caminhar lado a lado.
“A emissão do Título Digital de Exploração deste projeto é um exemplo de como a transição energética e a incorporação de tecnologias limpas podem alinhar-se com o objetivo nacional de reindustrialização e descarbonização, reforçando a nossa capacidade exportadora. Porque, no final do dia, não basta produzir energia limpa, sendo necessário transformá-la em valor industrial, em exportações, em emprego qualificado.”
O governante acrescentou ainda que a atribuição do título demonstra a aposta do Estado na simplificação de processos e na criação de condições favoráveis ao investimento produtivo e à competitividade do Complexo Industrial de Sines.
Na fase de construção, o Projeto Alba mobilizou cerca de 1.300 trabalhadores nos períodos de maior atividade. Com a entrada em funcionamento das novas unidades industriais, serão criados cerca de 100 postos de trabalho diretos e aproximadamente 300 postos de trabalho indiretos.
No final da sua intervenção, Ricardo Pinheiro reiterou o compromisso da CCDR Alentejo com a atração de investimento internacional e com a criação de condições para o desenvolvimento de projetos estratégicos na região: “Este é o caminho que temos vindo a trilhar, garantindo que as instituições são capazes de responder com rapidez, proximidade e eficácia.”.
Ricardo Pinheiro concluiu sublinhando que o Alentejo deve continuar a afirmar-se como um território capaz de acolher investimento internacional, valorizando a proximidade das instituições, a cooperação entre entidades e a capacidade de concretizar projetos estratégicos para a região e para o país.
A entrega do Título Digital de Exploração assinala um passo decisivo para a entrada em operação das novas unidades industriais do Projeto Alba, consolidando Sines e o Alentejo como território estratégico para a indústria, a energia, a inovação e a competitividade europeia, num investimento que reforça a capacidade exportadora nacional e contribui para a autonomia industrial da Europa.



















