António Ceia da Silva, Presidente da CCDRA, em depoimento à Revista TREZE, da Universidade de Évora. “ALENTEJO: TRANSFERÊNCIA E VALORIZAÇÂO DE CONHECIMENTO”



O Portugal 2020 contemplou um conjunto de instrumentos orientados para o reforço das dinâmicas de Transferência e Valorização de Conhecimento os quais cobrem o ciclo de inovação, desde a produção de conhecimento até à sua apropriação e valorização económica, abrangendo apoios às instituições de ensino superior, centros de investigação, entidades de interface da inovação e empresas. A orientação geral vai no sentido de estimular a aproximação entre as entidades do Sistema de I&I e as empresas.

No Alentejo, podemos sinalizar tendências mais recentes relacionadas com os investimentos apoiados pelo Programa Operacional Regional, na infraestruturação de polos de I&DT em áreas de especialização regional (TIC, Tecnologias do Ambiente, do Solo e da Água, Biotecnologias e sistemas culturais mediterrânicos, e Património).

Entre os elementos de balanço, em termos de resultados, destacam-se as vertentes relacionadas com a qualificação do território em equipamentos e infraestruturas do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia, visando contribuir para fortalecer a base infraestrutural do Sistema Regional de Inovação e ampliar a capacidade produtiva regional com novos bens, serviços, tecnologias e processos produtivos.

As insuficiências reveladas situam-se, justamente, na reduzida transferência de conhecimento para as empresas e na insuficiente dinâmica de apropriação dos resultados da investigação e sequentes processos inovadores. Apesar dos avanços registados, há ainda uma margem de progressão e consolidação das diversas expressões do Sistema Regional de Inovação, enriquecendo as oportunidades de renovação competitiva das cadeias de valor regional.

No sentido de reforçar a interligação entre o conhecimento, a sua transferência e apropriação, em complemento com a capacitação dos vários intervenientes e destinatários, a Estratégia Regional Alentejo 2030 atribui relevância à consolidação do Sistema Regional de Inovação e ao ajustamento dinâmico da oferta de competências para um novo paradigma produtivo, 2 centrada nas prioridades temáticas da futura Estratégia Regional de Especialização Inteligente 2030 e incentivando a produção de I&DT em domínios-chave dos recursos e ativos regionais (solo, água e biodiversidade).

O conhecimento e as tecnologias desenvolvidas em sequência são indispensáveis à robustez das apostas, nomeadamente, na vertente da bioeconomia sustentável, onde a Região dispõe de recursos de partida (na Universidade de Évora, nos Institutos Politécnicos e outros Centros de I&D) e de margem para reforçar a transferência de conhecimento para as aplicações económicoprodutivas.

No domínio das qualificações, facilitadoras da apropriação do conhecimento, a transformação do paradigma produtivo em curso na Região, a Estratégia Alentejo 2030 e a Estratégia Regional de Especialização Inteligente nos seus domínios de especialização e transversais, estimulam a procura de novas qualificações e processos dinâmicos de reconversão de competências, mitigando riscos de marginalização de ativos ditada pela disseminação da inovação.

Nestes tempos incertos que estamos a atravessar, as apostas no conhecimento e nas competências, devem integrar a transição digital e a transição energética. Para aproveitar o potencial da digitalização, da economia e da sociedade em geral, será importante a aposta em novas aplicações tecnológicas beneficiando da melhoria das qualificações em competências digitais.

Na transição energética, o Alentejo deve continuar a tirar partido do conhecimento e dos projetos das Instituições de Ensino Superior, promovendo investigação nas diversas energias renováveis, dirigida à eficiência dos equipamentos e ao armazenamento da energia, mas também à gestão eficiente de recursos escassos como a água.

As questões relacionadas com a saúde ganharam agora mais importância, e assim se espera que venha a ser no futuro, pela necessidade de maior atenção aos problemas de saúde pública. Assim, será importante a aposta no reforço de competências regionais na especialização na investigação e na prestação de uma nova geração de cuidados de saúde, potenciando o investimento no Hospital Central do Alentejo e na Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano da Universidade de Évora.

Para melhorar os atributos regionais e o desempenho do Alentejo nos domínios do conhecimento e inovação, partindo da valorização dos meios existentes (Instituições de Ensino Superior, PACT, Rede de Incubadoras, Centros Tecnológicos e de Competências), é importante continuar a apostar na ligação entre o desenvolvimento da investigação e a experimentação e transferência de conhecimento, através de projetos que proporcionem novas oportunidades de negócio e de descoberta empreendedora.

No âmbito do Alentejo 2020, assumiu especial destaque o apoio a projetos de transferência de conhecimento, com vista a conceder apoios financeiros a projetos de transferência do conhecimento científico e tecnológico que contribuam para a melhoria das condições envolventes às empresas, com particular relevo para as associadas a fatores imateriais de 3 competitividade de natureza coletiva, que se materializem na disponibilização de bens coletivos ou públicos capazes de induzir efeitos de arrastamento na economia.

Neste contexto foram aprovados 26 projetos, com uma despesa elegível de mais de 6M€ e um apoio correspondente de 5,2M€, dos quais, 15 têm como beneficiário líder a Universidade de Évora, com uma despesa elegível de cerca de 3,6M€ a que corresponde um apoio FEDER de 3M€.

 

António Ceia da Silva

Presidente da Comissão de Coordenação

e Desenvolvimento Regional do Alentejo(CCDRA)

 

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